Ele corria para casa. O sol da tarde já desaparecia atrás dos telhados da pequena cidade. Não se lembrava como tinha chegado ali, mas sabia que tinha que chegar em casa. Não o motivo, conhecia apenas a necessidade.
Virou a esquina conhecida, ponto de encontro dos amigos, quando era criança. O caminho que tanto fez, do colégio para casa, agora se perdia na lembrança. Estava em uma rua familiar que nunca viu. Caminhava com dificuldade, o calçamento era antigo, de pedras azuis. Em cada pedregulho, via nomes escritos de giz branco em letra de criança.
No primeiro cruzamento, imaginou ter visto o sino solitário da única torre do antigo Santuário. Corria usando a igreja como farol, atravessando ruas sem se preocupar com o caminho. Quando alcançou a torre, descobriu seu engano. Não era a igreja, mas sim uma casa. A casa de seus avós.
Entrou pelo pequeno portão lateral, em direção ao quintal. No meio do caminho, percebeu seu engano, os avós já tinham morrido. Não havia ninguém ali que poderia ajudar a achar seu caminho para casa. Deu meia volta, mas se deparou com o portão fechado. Sem alternativa, continuou seu caminho pelo imenso quintal.
Agora, caminhava calmamente por essas árvores que conhecia intimamente de escaladas prévias. No final do terreno, viu o portão de metal, aquele que ficava no muro de sua casa. Abriu aliviado e se abateu quando saiu na mesma rua onde tinha começado. Ele corria para casa.
PS: Laura, demorei, mas fiz seu conto.




